{"id":22,"date":"2007-05-09T18:01:02","date_gmt":"2007-05-09T21:01:02","guid":{"rendered":"http:\/\/hackers.propus.com.br\/~marlon\/blog\/2007\/06\/07\/22\/"},"modified":"2008-11-16T13:46:44","modified_gmt":"2008-11-16T16:46:44","slug":"cinco-anos-mais-tarde-de-volta-em-rondonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mfdutra.com\/blog\/2007\/05\/09\/cinco-anos-mais-tarde-de-volta-em-rondonia\/","title":{"rendered":"Cinco anos mais tarde, de volta em Rond\u00f4nia"},"content":{"rendered":"<p>A minha primeira longa viagem pelo Brasil, em 2002, foi a <a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Rond%C3%B4nia\">Rond\u00f4nia<\/a>, para ministrar um curso de Linux no interior daquele estado, na cidade de <a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Cacoal\">Cacoal<\/a>, que fica a uns 480 km da capital. Na \u00e9poca, a nossa malha a\u00e9rea n\u00e3o era t\u00e3o extensa como hoje, ent\u00e3o eu lembro que voei de Porto Alegre para Curitiba, Congonhas (SP), Ara\u00e7atuba, Cuiab\u00e1 e ent\u00e3o Ji-Paran\u00e1, onde desembarquei de um Fokker 100 da Tam.<\/p>\n<p>Por 2002, a fama dos Fokkers andava bem baixa, ent\u00e3o era de certa forma um pouco sinistro viajar naquele tro\u00e7o. Mas, minha paix\u00e3o por avi\u00f5es \u00e9 tamanha que n\u00e3o ligo pra nada disso. Nessa viagem de volta, no mesmo hor\u00e1rio que eu estava a bordo de outro Fokker, um outro avi\u00e3o igual fazendo a rota Rio de Janeiro &#8211; Porto Alegre abriu a porta em pleno ar, dando um grande susto nos passageiros e tripula\u00e7\u00e3o. Por sorte, o aparelho ainda n\u00e3o estava pressurizado, pois estava muito baixo. Se estivesse mais alto&#8230;<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Desta vez, voltei ao mesmo estado, mas direto para a capital <a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Porto_Velho\">Porto Velho<\/a>, \u00e0 margem do famoso <a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Rio_Madeira\">Rio Madeira<\/a>. Fui fazer uma instala\u00e7\u00e3o em um cliente, ent\u00e3o tive que passar o final de semana inteiro. Cheguei na madrugada de sexta-feira pra s\u00e1bado, pra variar com v\u00f4os atrasados (duas horas e meia de atraso no \u00faltimo trecho Bras\u00edlia &#8211; Porto Velho).<\/p>\n<p>Porto Velho, embora sendo uma capital, \u00e9 uma cidade pequena, com seus 380 mil habitantes. Na \u00e9poca \u00e1urea da borracha no Brasil, foi uma cidade muito importante, especialmente pela posi\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica \u00e0 margem do Madeira, por onde escoava toda a produ\u00e7\u00e3o de latex em dire\u00e7\u00e3o ao Rio Amazonas e de l\u00e1 para o resto do mundo.<\/p>\n<p>Junto com o Brasil, a Bol\u00edvia tamb\u00e9m possu\u00eda grandes seringais, e atrav\u00e9s de um acordo entre os dois pa\u00edses, o Brasil construiu a famosa <a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Ferrovia_Madeira-Mamor%C3%A9\">Estrada de Ferro Madeira-Mamor\u00e9<\/a>, que foi at\u00e9 tema de mini-s\u00e9rie da Rede Globo h\u00e1 pouco. A estrada foi constru\u00edda entre 1907 e 1912, matando muita gente por causa da mal\u00e1ria na floresta. O ambiente era completamente in\u00f3spito, ainda mais nas condi\u00e7\u00f5es daquele tempo. Em fun\u00e7\u00e3o disso, na \u00e9poca a estrada ficou conhecida como a &#8220;ferrovia do diabo&#8221;.  Existe inclusive uma lenda que fiz que sob cada um de seus dormentes existe um cad\u00e1ver. N\u00e3o \u00e9 de se duvidar, de fato.<\/p>\n<p>A estrada foi constru\u00edda porque ao longo de seu curso, o Rio Madeira possui muitas cachoeiras, o que impossibilitava completamente a navega\u00e7\u00e3o. Como a Bol\u00edvia n\u00e3o possui acesso ao mar, essa era a \u00fanica sa\u00edda vi\u00e1vel \u00e0 sua produ\u00e7\u00e3o. Infelizmente, logo ap\u00f3s o t\u00e9rmino da empreitada, a ??sia entrou no mercado da borracha com um custo de produ\u00e7\u00e3o muito mais baixo que o brasileiro, o que fadou o fim s\u00fabito do com\u00e9rcio de latex no Brasil, levando praticamente \u00e0 fal\u00eancia todas as cidades que viviam em fun\u00e7\u00e3o desse neg\u00f3cio, entre elas Manaus, capital do Amazonas.<\/p>\n<p>A ferrovia, naturalmente, ainda existe at\u00e9 hoje, embora completamente abandonada. No ponto 0 dela, em Porto Velho, a cidade construiu um museu para homenagear a estrada. Estive visitando esse museu no domingo e achei super interessante. H\u00e1 inclusive uma locomotiva completa que era utilizada na \u00e9poca. Imaginem a &#8220;tecnologia&#8221;. Tudo \u00e9 muito grande, muito bruto.<\/p>\n<p>Na \u00e9poca da grava\u00e7\u00e3o do seriado da Globo, chegaram a restaurar um trecho da ferrovia e uma locomotiva inteira. Alguns pol\u00edticos locais queriam criar um passeio nessa locomotiva como atra\u00e7\u00e3o tur\u00edstica, mas a burocracia natural do Brasil acabou pondo a id\u00e9ia no lixo. O governo do estado luta para receber os direitos da ferrovia do governo federal, mas por pura &#8220;burrocracia&#8221;, isso est\u00e1 encalhado h\u00e1 anos.<\/p>\n<p>Porto Velho definitivamente n\u00e3o \u00e9 uma cidade tur\u00edstica. H\u00e1 pouco o que ver, e como meu tempo era curto, a \u00fanica coisa que fiz al\u00e9m de trabalhar, foi visitar o museu. Uma coisa que me chamou muito a aten\u00e7\u00e3o foi a quantidade de caminh\u00f5es transportando soja. Durante o tempo em que eu comia uma pizza num restaurante na avenida que d\u00e1 acesso ao porto da cidade, passaram uma centena deles, todos iguais e enormes. E disseram que \u00e9 assim o dia inteiro. Toda a soja produzida no Mato Grosso, que \u00e9 um dos maiores produtores mundiais, e tamb\u00e9m de Rond\u00f4nia sai pelo porto de Porto Velho, subindo o Rio Madeira de balsa at\u00e9 o Amazonas. De l\u00e1, a soja \u00e9 exportada para o mundo inteiro a partir do porto de Itaquoatiara. Imagino que grande parte de toda essa produ\u00e7\u00e3o v\u00e1 para a China.<\/p>\n<p>Na madrugada de segunda para ter\u00e7a-feira, voei de volta para Porto Alegre, passando por Bras\u00edlia, S\u00e3o Paulo e Florian\u00f3polis. Ao passar por Congonhas, em S\u00e3o Paulo, pegamos uma tempestade fort\u00edssima, e a pista principal daquele aeroporto estava alagada, pra variar. Havia tanto vento na regi\u00e3o, que o piloto perdeu o alinhamento na final da pista 17R. Quase ca\u00edmos na grama. Com habilidade, e um pouco de sorte, o piloto conseguiu trazer o bicho de volta. Que susto! Depois fiquei um tempo conversando com os dois pilotos, e eles disseram que pegaram uma mudan\u00e7a brusca de vento (wind shear) na final, mas n\u00e3o dava mais tempo de arremeter, pois estavam muito perto. Est\u00e1vamos no 737-800 PR-GTL (eles o chamam de &#8220;tango lima&#8221;), o avi\u00e3o mais novo da Gol, que tinha sido entregue 7 dias antes zerinho pela Boeing. N\u00e3o seria uma boa id\u00e9ia avariar justamente esse avi\u00e3o. \ud83d\ude42<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A minha primeira longa viagem pelo Brasil, em 2002, foi a Rond\u00f4nia, para ministrar um curso de Linux no interior daquele estado, na cidade de Cacoal, que fica a uns 480 km da capital. 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