{"id":456,"date":"2015-12-27T04:24:10","date_gmt":"2015-12-27T07:24:10","guid":{"rendered":"http:\/\/mfdutra.com\/blog\/?p=456"},"modified":"2015-12-27T21:39:55","modified_gmt":"2015-12-28T00:39:55","slug":"celebrando-20-anos-de-carreira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mfdutra.com\/blog\/2015\/12\/27\/celebrando-20-anos-de-carreira\/","title":{"rendered":"Celebrando 20 anos de carreira"},"content":{"rendered":"<p>Mais ou menos 20 anos atr\u00e1s, final de 1995 &#8211; in\u00edcio de 1996, eu estava come\u00e7ando o que acabou se tornando uma carreira de muito sucesso. Diferente de tudo que lemos em livros sobre como construir uma carreira, eu tomei um caminho bastante alternativo para chegar onde estou hoje. O resto do texto \u00e9 longo, mas \u00e9 a est\u00f3ria da minha vida profissional e eu n\u00e3o poderia passar este importante marco sem escrever a respeito.<\/p>\n<p><!--more-->Eu venho de uma fam\u00edlia humilde\u00a0e de uma regi\u00e3o pobre no extremo sul do Brasil, uma cidade chamada Rio Grande, interior do Rio Grande do Sul. Minha fam\u00edlia \u00e9 bastante grande, com 13 tios (ou tias), e v\u00e1rias ramifica\u00e7\u00f5es. Ningu\u00e9m da fam\u00edlia, em gera\u00e7\u00f5es anteriores, terminou uma faculdade ou tem qualquer profiss\u00e3o altamente especializada. Todos s\u00e3o \u00f3timas pessoas e trabalham duro todos os dias para fechar as contas no final do m\u00eas. Como voc\u00ea pode imaginar, minha gera\u00e7\u00e3o (eu, irm\u00e3os, primos, etc) nunca teve\u00a0nenhuma refer\u00eancia de alta educa\u00e7\u00e3o em qualquer lugar. Nada de m\u00e9dicos, engenheiros, advogados, etc, para nos guiar. A expectativa sempre foi ir pra escola, aprender o b\u00e1sico, eventualmente sair e conseguir um trabalho em algum lugar. Nossos filhos provavelmente fariam a mesma coisa. Felizmente minha gera\u00e7\u00e3o teve bem mais acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e tenho v\u00e1rios primos e uma irm\u00e3 com educa\u00e7\u00e3o superior, alguns at\u00e9 p\u00f3s-graduados.<\/p>\n<p>Eu sempre fui muito interessado em tudo relacionado a tecnologia, eletr\u00f4nica, basicamente tudo que tem bot\u00f5es. Minha fam\u00edlia nunca teve condi\u00e7\u00f5es de me dar um computador, e at\u00e9 mesmo nas escolas, computadores n\u00e3o existiam ainda. Sempre que eu via um computador, eu sonhava que algum dia eu iria poder usar um. Um dos meus primos, <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/jean.saracol\" target=\"_blank\">Jean<\/a>, tinha um MSX com um leitor de fita cassete e eu ficava fascinado sempre que tinha a chance de mexer. Em um dos natais no in\u00edcio dos anos 90, minha m\u00e3e me perguntou se eu queria um v\u00eddeo game ou um teclado musical e minha resposta foi o teclado, provavelmente porque tinha um monte de bot\u00f5es. Eu aprendi um pouco de m\u00fasica, mas o que me interessava mais eram as fun\u00e7\u00f5es eletr\u00f4nicas do teclado, ao inv\u00e9s de tocar m\u00fasica nele. Um tempo depois, eu convenci minha m\u00e3e a me dar um mais sofisticado, n\u00e3o porque eu estava preocupado com um som melhor de piano, mas porque tinha muito mais recursos eletr\u00f4nicos.<\/p>\n<p>No in\u00edcio de 1995, eu entrei numa escola t\u00e9cnica de ensino m\u00e9dio, onde al\u00e9m do curr\u00edculo normal de ensino m\u00e9dio, eu tamb\u00e9m iria aprender a trabalhar com refrigera\u00e7\u00e3o e sistemas de ar condicionado. Eu realmente n\u00e3o queria nada com isso, mas era a melhor escola da cidade. Eu aprendi bastante sobre o assunto e tamb\u00e9m sobre eletricidade. Como a escola era ligada \u00e0 universidade local, havia computadores! N\u00f3s t\u00ednhamos acesso \u00e0 biblioteca da universidade, onde eles tinham aqueles computadores antigos com telas verdes para buscar o cat\u00e1logo de livros. Muitas horas eu passei pesquisando o cat\u00e1logo sem na verdade me interessar por nenhum livro. Como essa era a melhor escola da cidade e era p\u00fablica, eu tinha colegas de fam\u00edlias de todas classes sociais poss\u00edveis. Eu fiz alguns amigos que tinham computador e alguns deles estavam at\u00e9 come\u00e7ando a usar Internet, o que eu n\u00e3o tinha ideia do que era. Nos meses seguintes, estava claro pra mim que isso era o que eu queria fazer.<\/p>\n<p>Por\u00e9m eu jamais iria muito longe sem meu pr\u00f3prio equipamento. A primeira vez que eu mencionei que queria um computador pelo meu anivers\u00e1rio de 15 anos, minha fam\u00edlia riu de mim. Sonhador&#8230; Com alguma insist\u00eancia, eles acabaram percebendo que eu realmente queria um, e fizeram um sacrif\u00edcio enorme para realizar esse sonho. Eu n\u00e3o lembro dos detalhes, mas eu lembro que foi financiado em v\u00e1rias presta\u00e7\u00f5es e cada presta\u00e7\u00e3o era dividida em uns 2-3 peda\u00e7os, para cada um em casa pagar um pouco. O computador era bem interessante pra sua \u00e9poca, um Compaq Presario, 486 DX\/2 66 MHz, 8 MB de mem\u00f3ria, 420 MB de disco r\u00edgido, kit multim\u00eddia e fax-modem de 14400 bps. O computador provavelmente custava mais caro que o carro velho que t\u00ednhamos na garagem. N\u00e3o havia provedores de Internet na cidade, ent\u00e3o Internet foi algo que eu tive que esperar por v\u00e1rios meses ainda. Este computador mudou tudo. Era a ferramenta que estava faltando para eu construir minhas habilidades e ter uma profiss\u00e3o.<\/p>\n<p>Eu fui muito aben\u00e7oado por nunca me interessar por jogos. Ent\u00e3o, ao inv\u00e9s de passar muitas horas jogando, eu passei todas essas horas aprendendo tudo o que eu podia. Desde o in\u00edcio, minha motiva\u00e7\u00e3o principal era aprender como os aplicativos eram feitos. Eu nunca tinha ouvido falar de linguagens de programa\u00e7\u00e3o ou compiladores, mas eu sabia que os softwares tinham que ser feitos de alguma forma. \u00c9 muito dif\u00edcil aprender as coisas sem Internet. Eu peguei uns livros na universidade e a maioria deles n\u00e3o fazia sentido pra mim. Documenta\u00e7\u00e3o naquela \u00e9poca era muito ruim, especialmente em portugu\u00eas. E eu n\u00e3o sabia uma palavra em ingl\u00eas, claro. Falando com uns amigos na escola, eu ouvi falar de DBase e Clipper. Um amigo me conseguiu um disquete com o Clipper e eu lembro de ter passado semanas sofrendo com aquilo at\u00e9 que eu consegui produzir meu primeiro arquivo execut\u00e1vel. Eu fiquei feliz demais com aquilo. Era apenas um &#8220;hello world&#8221;, mas significou muito pra mim. Naquele dia, eu decidi que eu seria um programador profissional.<\/p>\n<p>Por volta dessa \u00e9poca, eu fiz alguns amigos que foram fundamentais para o meu progresso. Um deles foi <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/marcio.malta\" target=\"_blank\">Marcio Malta<\/a>, que era um programador profissional em Clipper. Eu realmente n\u00e3o lembro exatamente como eu conheci o Marcio, mas ele imediatamente se tornou meu \u00eddolo. Quando ele soube que eu estava muito querendo aprender Clipper, ele me deixou copiar alguns de seus c\u00f3digos para usar como refer\u00eancia. Eu estudei cuidadosamente cada linha e partir da\u00ed eu comecei a construir conhecimento suficiente para escrever um software decente.<\/p>\n<p>Eu n\u00e3o tinha paci\u00eancia para aprender um monte de coisas at\u00e9 que eu pudesse ganhar algum dinheiro com isso. A ideia de fazer algum dinheiro com o meu conhecimento novo era muito grande na minha cabe\u00e7a. Assim que o Windows 95 foi lan\u00e7ado no Brasil, eu comprei a atualiza\u00e7\u00e3o, que veio em 13 disquetes. O m\u00e9dico da minha av\u00f3 perguntou se eu n\u00e3o me importaria de atualizar o seu computador tamb\u00e9m. Com 15 anos, eu n\u00e3o fazia a m\u00ednima ideia sobre pirataria, ent\u00e3o naturalmente aceitei. Eu n\u00e3o cobrei nada, mas ele me pagou algo como uns R$ 60,00 pelo servi\u00e7o. Foi minha primeira receita como um &#8220;profissional de computa\u00e7\u00e3o&#8221;. Nos pr\u00f3ximos dias, esse m\u00e9dico fez v\u00e1rias indica\u00e7\u00f5es para seus outros amigos m\u00e9dicos, e l\u00e1 eu estava instalando Windows 95 para um monte de gente. Eu estava recebendo algo como R$ 50,00 por instala\u00e7\u00e3o. Eu fiz mais dinheiro em algumas horas me divertindo, do que a vasta maioria das pessoas que eu conhecia poderia ter feito num m\u00eas inteiro trabalhando em turno integral. Ent\u00e3o que se dane geladeiras e ar condicionados, isso \u00e9 o que eu queria pra minha vida. O que pode ser melhor do que ser bem pago para se divertir?<\/p>\n<p>Algumas semanas ou meses depois, eu fiz meu primeiro dinheiro com software. Um conhecido que consertava eletr\u00f4nicos tinha comprado um computador e precisava de um software para controlar seus clientes e trabalhos. Na primeira vers\u00e3o, eu dei tr\u00eas execut\u00e1veis para ele, um pra adicionar clientes, outro para visualizar e outro para apagar clientes. Todos os execut\u00e1veis faziam uma coisa apenas e terminavam, porque eu n\u00e3o tinha me ligado ainda que softwares deveriam rodar em loop infinito e eu tamb\u00e9m n\u00e3o sabia como fazer menus para que um software apenas pudesse fazer v\u00e1rias coisas. Ele ficou muito feliz com minha &#8220;solu\u00e7\u00e3o&#8221; e me pagou uns R$ 250,00 por ela. Algumas semanas mais tarde eu aprendi o que faltava e fiquei bem envergonhado por ter sido t\u00e3o burro. Eu dei uma nova vers\u00e3o de gra\u00e7a. O cliente gostou, mas n\u00e3o se importou muito, porque minha primeira vers\u00e3o j\u00e1 estava ok. Logo em seguida, o propriet\u00e1rio de um posto de gasolina me procurou dizendo que eles queriam criar um cart\u00e3o fidelidade, que daria pontos aos clientes de acordo com quanto combust\u00edvel eles comprassem. Eles j\u00e1 tinham um software que controlava as bombas. Para a minha sorte, esse software foi escrito em Clipper, ent\u00e3o eu descompilei e fiz engenharia reversa do software. Derivando do mesmo banco de dados, eu criei um software paralelo para controlar os pontos do cart\u00e3o. Os clientes adoraram a ideia e o projeto foi um sucesso. Esse foi provavelmente meu primeiro contrato de suporte, onde eu consegui uma receita recorrente. Eu tinha 15 anos ainda.<\/p>\n<p>Em 1996, os primeiros provedores de Internet chegaram na cidade. Eu tinha ouvido sobre Internet atrav\u00e9s do meu amigo <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/felipe.boffo\" target=\"_blank\">Felipe Boffo<\/a>, e n\u00f3s fomos um dos primeiros clientes de um dos provedores. Antes disso, eu estava usando BBS um pouco por alguns meses. N\u00f3s ficamos amigos com o propriet\u00e1rio de um dos provedores e ele estava muito procurando por pessoas com algum conhecimento pra ajudar a criar a base de usu\u00e1rios. O Felipe n\u00e3o quis se envolver com isso, mas eu estava topando qualquer coisa que aparecesse. N\u00e3o existia &#8220;self-service&#8221; naquela \u00e9poca. Para cada novo cliente, n\u00f3s t\u00ednhamos que ir na casa do cliente, instalar o modem e todos os softwares necess\u00e1rios (Netscape, Eudora, mIRC, etc), e ensinar a fam\u00edlia sobre como usar a Internet. Eu perdi as contas de quantas casas eu visitei, mas certamente foi na casa das centenas. O provedor pagava algo como R$ 35,00 por cada instala\u00e7\u00e3o. Em \u00e9pocas mais movimentadas, eu fazia mais de 5 num dia. Eu estava fazendo mais de um sal\u00e1rio m\u00ednimo por dia. Foi nessa \u00e9poca que eu fui apresentado ao Linux. Todo o provedor rodava em Linux e tinha sido instalado por um pessoal de uma universidade pr\u00f3xima. Eu achava o m\u00e1ximo ver o rapaz trabalhando com sistemas e redes e eu estava sempre tentando absorver o m\u00e1ximo de conhecimento poss\u00edvel. Em algum momento pra frente eu me tornei o principal administrador de sistemas e redes do provedor. A empresa estava crescendo r\u00e1pido e isso me deu a chance de aprender muito Linux e redes, muito antes de Linux se tornar bem conhecido. N\u00f3s us\u00e1vamos Slackware nessa \u00e9poca, com kernel 1.2. Eu lembro muito bem quando o 2.0 foi lan\u00e7ado e eu estava super entusiasmado pra instalar, o que botou o provedor abaixo por v\u00e1rias horas. \ud83d\ude42 Compilar um kernel levava f\u00e1cil 4-6 horas. E obviamente n\u00e3o havia pacotes pra facilitar a coisa.<\/p>\n<p>O provedor empurrou minha popularidade na cidade. Eu consegui v\u00e1rios novos clientes, tanto em software como em Linux. V\u00e1rias empresas queriam criar seus websites tamb\u00e9m. Eu passei muitas horas lendo c\u00f3digo HTML para aprender como ganhar dinheiro com isso tamb\u00e9m. Eu vendi um bocado de websites. JavaScript e CSS n\u00e3o eram comum ainda. O neg\u00f3cio era apenas p\u00e1ginas est\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Alguns amigos que eu lembro bem daquela \u00e9poca s\u00e3o <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/j.diego.martins\" target=\"_blank\">Diego Martins<\/a> e <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/jeferson.petito\" target=\"_blank\">Jeferson Petito<\/a>. Diego tinha uma empresa de software e ele me apresentou ao Delphi. Eu fui muito relutante para deixar o Clipper para tr\u00e1s, mas a maioria dos clientes estava pedindo por interfaces gr\u00e1ficas. Em algum momento eu aceitei isso e acabei vendendo v\u00e1rios projetos interessantes em Delphi. Para a minha grande surpresa, eu fiquei sabendo ano passado que um consult\u00f3rio m\u00e9dico na minha cidade ainda usa um software meu, que foi compilado da \u00faltima vez em 1997. Petito era meu colega no provedor. N\u00f3s visitamos muitos clientes juntos. A empresa faliu logo em seguida. Petito me ajudou com o processo do visto para os Estados Unidos, atestando meus conhecimentos e experi\u00eancias dessa \u00e9poca.<\/p>\n<p>Em 1997, dois amigos e eu decidimos fundar uma empresa. At\u00e9 ent\u00e3o, tudo o que eu vendia era por baixo dos panos. Conforme a coisa foi crescendo, fez sentido em ter uma empresa por tr\u00e1s. Vend\u00edamos todo o tipo de servi\u00e7o, como softwares, servidores Linux, redes, web sites, ilustra\u00e7\u00f5es, etc. Em algum momento surgiu a oportunidade de importar equipamentos dos EUA para vender localmente. As margens de lucro pareciam bastante interessantes e come\u00e7amos logo a fazer isso. Depois de algumas importa\u00e7\u00f5es, come\u00e7amos a perceber que a coisa estava muito f\u00e1cil para ser verdade. Na verdade, est\u00e1vamos contrabandeando equipamentos e sonegando impostos. Quando nos ligamos disso, a empresa j\u00e1 estava com alguns problemas financeiros e desistimos do neg\u00f3cio. Poder\u00edamos ter ido presos com isso.<\/p>\n<p>Quando o provedor fechou em 1998, quatro amigos e eu fundamos outra empresa. N\u00f3s faz\u00edamos praticamente a mesma coisa que na minha primeira empresa, mas um dos s\u00f3cios era mais velho e tinha muito mais experi\u00eancia com neg\u00f3cios. Dessa vez, eu me certifiquei de que toda a opera\u00e7\u00e3o fosse legalizada. Foi uma experi\u00eancia muito interessante at\u00e9 2001, quando eu sa\u00ed da empresa e me mudei para outra cidade. Eu perdi contato com eles, mas at\u00e9 onde eu sei, a empresa existe at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p>Minha cidade natal tem em torno de 200 mil habitantes. N\u00e3o \u00e9 um vilarejo, mas \u00e9 uma cidade pobre, com muitas ruas de areia, sem esgoto, aeroporto comercial, etc. Eu realmente queria me especializar em Linux e redes, j\u00e1 que essas eram as coisas que eu mais gostava. Fazer apenas isso numa cidade pequena \u00e9 imposs\u00edvel. Eu gastava boa parte do meu tempo com softwares pequenos, consertando Windows, arrumando impressora, monitor, ou qualquer coisa que aparecesse. Eu tinha muito poucos clientes em Linux e eu realmente sentia falta do provedor. Por essa \u00e9poca, as grandes telecoms estavam comendo todo o mercado, for\u00e7ando os provedores pequenos a quebrar. Meu amigo <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/altoburgo\" target=\"_blank\">Bruno Domingues<\/a> assumiu boa parte do meu trabalho quando eu fui embora.<\/p>\n<p>Em 2001, eu tive a oportunidade de me mudar para a capital do estado, Porto Alegre. \u00c9 uma regi\u00e3o com 4 milh\u00f5es de habitantes, com muita atividade econ\u00f4mica. O trabalho era para ser administrador de sistemas e redes em uma organiza\u00e7\u00e3o de cr\u00e9dito ao consumidor. Mudar para l\u00e1 foi a melhor decis\u00e3o que tomei na vida at\u00e9 esse momento. Viver num grande centro econ\u00f4mico, comparado com uma cidade pequena, \u00e9 algo que s\u00f3 se percebe a diferen\u00e7a uma vez que voc\u00ea fa\u00e7a isso voc\u00ea mesmo. O trabalho era bacana e eu podia finalmente passar a maior parte do meu tempo fazendo coisas que eu gostava. <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/carloseurico.canto\" target=\"_blank\">Eurico<\/a> foi a pessoa que me achou e me contratou. Dois anos mais tarde, nos tornamos s\u00f3cios na minha terceira empresa.<\/p>\n<p>A melhor parte de me mudar para a cidade grande foi entrar em contato com a comunidade de software livre, onde eu fiz alguns dos meus melhores amigos e tive minha cabe\u00e7a aberta para o mundo. Eu fui muito bem recebido pela comunidade local, porque embora a maioria deles era bem ativo com a causa, eles tinham muito menos conhecimento t\u00e9cnico do que eu (em Linux por exemplo). O <a href=\"http:\/\/www.fisl.org.br\" target=\"_blank\">F\u00f3rum Internacional de Software Livre (FISL)<\/a> estava indo para a sua terceira edi\u00e7\u00e3o e rapidamente eu me envolvi com a organiza\u00e7\u00e3o. Alguns anos mais tarde, eu me tornaria o coordenador geral do evento por dois anos. Atrav\u00e9s do trabalho com o FISL, eu fiz \u00f3timos amigos como <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/andre.franciosi\" target=\"_blank\">Andr\u00e9 Franciosi<\/a>, <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/nandaweiden\" target=\"_blank\">Fernanda Weiden<\/a>, <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/marcelo.branco\" target=\"_blank\">Marcelo Branco<\/a>, <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/albertobengoa\" target=\"_blank\">Alberto Bengoa<\/a> e muitos outros. Todos os anos o evento trazia alguns dos maiores nomes do software livre de todo o mundo. Isso rapidamente me mostrou minha principal defici\u00eancia, n\u00e3o falar ingl\u00eas.<\/p>\n<p>Mesmo sendo bem respeitado pelo meu trabalho, eu me sentia deprimido que enquanto eu tinha a oportunidade de conhecer todas essas pessoas legais, eu n\u00e3o conseguia conversar com elas. Eu assumi um grande desafio de aprender a falar ingl\u00eas bem. Isso levaria v\u00e1rios anos, mas eu estava decidido que eu iria conquistar isso a qualquer custo. Eu imediatamente entrei numa escola, comprei alguns livros, comecei a ler tudo o que eu podia na Internet, comecei a me for\u00e7ar a falar com as pessoas, entre outras coisas. Eu levei a coisa muito a s\u00e9rio. Durante esse processo, eu conheci um dos meus melhores amigos, <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/jammcq\" target=\"_blank\">James McQuillan<\/a>, de Michigan, EUA, que participou do FISL pela primeira vez em 2003 e come\u00e7ou a visitar o Brasil todos os anos desde ent\u00e3o. N\u00f3s passamos incont\u00e1veis horas conversando neste \u00faltimos 12 anos e ele foi fundamental em me deixar confort\u00e1vel com o idioma. Mesmo hoje, que eu sou muito fluente em ingl\u00eas, algumas vezes eu ainda pe\u00e7o ele para revisar meus textos. Mais sobre o James adiante. Por volta da mesma \u00e9poca, eu conheci outro grande amigo, <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/maddoghall\" target=\"_blank\">Jon Maddog Hall<\/a>, que sempre foi um grande mentor, n\u00e3o apenas para mim, mas para muita gente no Brasil.<\/p>\n<p>Uma das melhores coisas que aconteceu quando eu me envolvi com a comunidade de software livre foi a demanda por palestras t\u00e9cnicas em outros eventos. At\u00e9 por volta de 2002, eu nunca havia sentado em um avi\u00e3o na minha vida. Logo em seguida que eu viajei a primeira vez, eu estava viajando o pa\u00eds inteiro dando palestras em v\u00e1rios eventos. Eu conheci uma quantidade enorme de \u00f3timas pessoas por isso, e tamb\u00e9m me tornei bastante conhecido na comunidade pelas minhas palestras. Pelo final de 2002, eu j\u00e1 tinha visitado a Argentina e o Uruguai dando palestras.<\/p>\n<p>Durante 2003, eu arranjei minha primeira grande viagem internacional, com meu amigo Andr\u00e9 Franciosi. N\u00f3s ficamos mais de um m\u00eas viajando pelos Estados Unidos e Costa Rica. Eu realmente precisava de uma oportunidade para dar um empurr\u00e3o no meu ingl\u00eas, ent\u00e3o nem me importei de me endividar para fazer essa viagem, e valeu muito a pena. Nos EUA, n\u00f3s participamos da LinuxWorld em San Francisco, onde conhecemos \u00f3timas pessoas. A LinuxWorld naquela \u00e9poca era gigante e n\u00f3s ficamos fascinados por tudo o que vimos l\u00e1. Eu jamais poderia imaginar que eu me mudaria exatamente para esse lugar apenas 9 anos mais tarde. N\u00f3s t\u00ednhamos alguns contatos na Costa Rica e essas pessoas l\u00e1 realmente precisavam de alguma ajuda para acelerar o software livre no pa\u00eds. Eu passei algumas semanas l\u00e1, onde eu dei algumas palestras em lugares diferentes e ajudei a criar a primeira distribui\u00e7\u00e3o de Linux local, baseada em Debian. Distribui\u00e7\u00f5es customizadas eram uma coisa bem comum naquela \u00e9poca.<\/p>\n<p>Nos anos seguintes, eu viajei para os EUA muitas outras vezes, geralmente para participar de eventos. Eu pude conhecer o pa\u00eds muito bem e estava sempre fazendo novos amigos. Meu ingl\u00eas estava cada vez melhor e finalmente eu estava conquistando meu objetivo de me tornar bil\u00edngue. Durante essas jornadas, eu fiz v\u00e1rios amigos da Am\u00e9rica Latina e eu realmente comecei a aprender espanhol. Hoje eu me comunico bastante bem em espanhol. Em 2008, eu fui convidado para dar uma palestra em Lima, Peru, sobre VoiIP e Asterisk. Foi a minha maior audi\u00eancia at\u00e9 hoje, com quase 3000 estudantes. Eu dei a palestra inteira em espanhol e foi uma \u00f3tima experi\u00eancia. Pouco sabia eu, que logo um ano depois disso, eu conheceria minha esposa peruana.<\/p>\n<p>No final de 2003, tr\u00eas amigos e eu fundamos minha terceira empresa, a <a href=\"http:\/\/www.propus.com.br\" target=\"_blank\">Propus<\/a>, onde eu trabalhei muito por quase 10 anos, at\u00e9 que me mudei para os EUA. Um dos meus melhores amigos, Alberto Bengoa, entrou na empresa logo em seguida que foi fundada. A Propus era bem maior e mais relevante que as minhas primeiras duas aventuras. A maior parte da base de clientes estava fora do estado e isso me fez viajar intensamente por todo o pa\u00eds. Houveram alguns anos que eu passei mais noites em um hotel do que em casa. Eu estava acumulando tantas milhas em linhas a\u00e9reas, que eu fiz algumas viagens aos EUA de gra\u00e7a. Com a Propus, eu realmente tive a chance de aperfei\u00e7oar meu conhecimento para trabalhar com grandes empresas. A maioria do trabalho era sobre infraestrutura com servidores Linux, equipamentos de rede e voz sobre IP. Eu fiquei muito afiado em desenvolver solu\u00e7\u00f5es para uma grande variedade de clientes em diferentes ind\u00fastrias, como educa\u00e7\u00e3o, \u00f3leo e g\u00e1s, energia, financeiro, log\u00edstica, comunica\u00e7\u00f5es, governo, etc. Eu tenho orgulho dessa empresa e das pessoas que l\u00e1 trabalham. \u00c9 uma empresa pequena de indiv\u00edduos altamente qualificados e talentosos.<\/p>\n<p>Conforme eu fui crescendo pessoalmente e profissionalmente, e especialmente depois que eu comecei a viajar pelo mundo, eu mudei muito. De uma cidade pequena, eu s\u00f3 podia ver o mundo atrav\u00e9s da TV e tudo parecia muito inalcan\u00e7\u00e1vel. Quando eu comecei a ver tudo com meus pr\u00f3prios olhos, eu comecei a ter novos sonhos. Um deles era viver no exterior. Eu tinha alguns amigos brasileiros vivendo no exterior, alguns at\u00e9 trabalhando em empresas de alta tecnologia. Eu sempre soube que eu era um bom profissional com conhecimentos valiosos, mas tamb\u00e9m sempre achei que essas pessoas trabalhando com os problemas mais complicados estavam tudo muito acima de mim. Por anos, meu amigo James tentou me convencer que eu deveria me mudar para os EUA. Eu sempre imaginei que n\u00e3o apenas eu n\u00e3o qualificaria para um visto de trabalho, pois nunca terminei uma faculdade, mas tamb\u00e9m eu achava que eu n\u00e3o era bom o suficiente para passar na sele\u00e7\u00e3o super estrita de uma grande empresa. Em 2011-2012 eu comecei a pensar nisso mais a s\u00e9rio, depois que eu fiquei sabendo que eu tinha experi\u00eancia comprovada suficiente que seria equivalente a um bacharelado, assim me qualificando para um visto de trabalho de alta especializa\u00e7\u00e3o. Nessa \u00e9poca, eu estava frequentemente recebendo e-mails de grandes empresas interessadas nas minhas qualifica\u00e7\u00f5es. Eu sempre educadamente respondia dizendo que n\u00e3o era a hora ainda, e nunca fechando portas.<\/p>\n<p>No in\u00edcio de 2012, eu estava num evento em S\u00e3o Paulo e essa ideia n\u00e3o sa\u00eda da minha cabe\u00e7a. Eu conversei com meus amigos Maddog, <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/felipewiel\" target=\"_blank\">Felipe<\/a> and Fernanda sobre isso e eles me encorajaram a tentar alguma coisa, pelo menos para ver como eu iria. No pior dos casos, nada mudaria. Eu n\u00e3o estaria pondo nada em risco. Eu sempre fui muito agressivo com meus desafios, ent\u00e3o se eu iria tentar algo, por que n\u00e3o com as empresas mais top que existem? Eu decidi tentar Google, Facebook, Amazon and Twitter. O Google j\u00e1 vinha me contatando havia bastante tempo, ent\u00e3o eu apenas respondi o \u00faltimo email dizendo que eu estava dispon\u00edvel para bater um papo pelo telefone. Enquanto isso, eu viajei para os EUA e estava visitando meu amigo James quando eles ligaram. Era a primeira vez na minha vida que eu estava sendo entrevistado. Toda a ideia de trabalhar para o Google, me mudar para outro pa\u00eds, reiniciar minha vida, etc, era algo t\u00e3o grande na minha cabe\u00e7a, que eu acabei congelando durante a entrevista. O recrutador me fez umas perguntas bem simples at\u00e9, e eu simplesmente n\u00e3o consegui responder direito. Logo em seguida que desligamos, me caiu a ficha que eu tinha acabado de destruir a oportunidade, o que se materializou no dia seguinte, com eles dizendo que eu havia sido rejeitado. Isso foi triste e me fez acreditar que eu estava apenas sonhando muito alto.<\/p>\n<p>Enquanto isso, a Fernanda estava entrevistando para o Facebook e me indicou para o recrutador dela. Eu j\u00e1 estava de volta no Brasil quando ele me ligou. Como agora eu tinha uma expectativa muito menor no resultado, o papo fluiu super bem. Ele me fez basicamente as mesmas perguntas que o Google fez e eu rapidamente respondi tudo. Nosso c\u00e9rebro trabalha muito melhor quando estamos calmos, sem ansiedade. Eu provavelmente teria falhado no processo do Facebook se eu n\u00e3o tivesse falhado com o Google. Por isso, eu preciso agradecer o Google pelo meu trabalho hoje! \ud83d\ude42 Eu fiz duas entrevistas por telefone e voei para Dublin, Irlanda, onde eu passei o dia inteiro na empresa fazendo mais seis entrevistas. Minha avalia\u00e7\u00e3o pessoal depois das entrevistas era bastante neutra. Eu sabia que n\u00e3o tinha sido excelente, mas eu estava confiante que n\u00e3o fui um imbecil tamb\u00e9m. Alguns dias depois, j\u00e1 em casa, eu recebi uma liga\u00e7\u00e3o dizendo que eu tinha sido aprovado. Foi dif\u00edcil de acreditar que eu tinha sido aprovado para trabalhar num dos melhores times de engenharia neste planeta. Eu aceitei a oferta e minha esposa e eu come\u00e7amos a planejar o pr\u00f3ximo cap\u00edtulo de nossas vidas. Um beb\u00ea chegaria em apenas alguns meses, ent\u00e3o era muita coisa acontecendo ao mesmo tempo.<\/p>\n<p>Foi bastante dif\u00edcil contar para os meus colegas na Propus que eu deixaria a empresa que eu havia ajudado a fundar alguns anos antes. Eles ficaram felizes pelo meu pr\u00f3ximo passo, mas ao mesmo tempo tristes de me verem partir. N\u00f3s viajamos para visitar os principais clientes para contar pessoalmente que eu estaria deixando a empresa. Eu era o principal ponto de contato com v\u00e1rios clientes e eu queria ter certeza que isso n\u00e3o causaria problemas para a empresa, ent\u00e3o eles tinham que ouvir da minha boca. Toda a transi\u00e7\u00e3o acabou sendo bem tranquila.<\/p>\n<p>Ser aceito num trabalho dos sonhos e ser bem sucedido nele s\u00e3o coisas completamente diferentes. Ser aceito apenas significa que eu fui bem nas entrevistas. Eu estava muito ciente que os desafios que eu encontraria depois de come\u00e7ar seriam muito maiores que qualquer pergunta das entrevistas. De fato, minha vida foi bem miser\u00e1vel nos primeiros meses. Mesmo tendo trabalhado com isso por 17 anos, tudo era muito novo e muito maior do que eu jamais poderia imaginar. Nas primeiras reuni\u00f5es, n\u00f3s est\u00e1vamos discutindo coisas em terabits por segundo e exabytes de dados. A <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/S%C3%ADndrome_do_impostor\" target=\"_blank\">s\u00edndrome do impostor<\/a> bateu muito forte e por algumas vezes eu achei que n\u00e3o sobreviveria no trabalho. Pareceu que eu tinha dado o passo maior que a perna. Conforme os meses se passaram, eu fui ficando mais confort\u00e1vel e comecei a entregar valor tamb\u00e9m. Um ano depois, minhas avalia\u00e7\u00f5es estavam constantemente excedendo as expectativas da empresa, o que me ajudou muito a mitigar a s\u00edndrome. Eu estava recebendo um retorno muito positivo dos meus gerentes e colegas e tudo isso me fez acreditar que sim, eu estava de fato pronto para este desafio.<\/p>\n<p>Uma coisa que eu li antes de come\u00e7ar aqui \u00e9 que, voc\u00ea pode ser uma superestrela no seu trabalho atual. Quando voc\u00ea entra numa grande empresa de alta tecnologia, voc\u00ea vai ficar assustado com tanta gente mais inteligente que voc\u00ea. Isso foi muito verdade. Eu fiquei chocado quando me caiu a ficha que eu estava rodeado por tanta gente impressionante, com tantas experi\u00eancias diferentes das minhas. Felizmente, isso nunca foi um problema pra mim. Tudo o que eu aprendi nestes \u00faltimos anos n\u00e3o seria poss\u00edvel sem esse time brilhante. N\u00e3o ser o mais inteligente de todos \u00e9 um bom atributo, n\u00e3o um defeito. \ud83d\ude42<\/p>\n<p>Nos meus primeiros dois anos no Facebook, eu trabalhei com tr\u00e1fego e engenharia de rede. Isso foi uma escolha natural, dada \u00e0 minha extensa experi\u00eancia nessa \u00e1rea. Para o meu terceiro ano, eu decidi sair da minha zona de conforto e tentar algo novo. Eu entrei para o time de seguran\u00e7a, uma \u00e1rea completamente nova para mim. Numa empresa grande, mudar de time pode parecer como ir para outra empresa. Novos desafios, novos projetos, novas pessoas, expectativas bem maiores, etc. Foi meio conturbado nas primeiras semanas ou meses, mas logo eu acelerei. Hoje eu sou o l\u00edder t\u00e9cnico do meu time e n\u00f3s estamos tocando alguns projetos insanos. \u00c9 dif\u00edcil de acreditar que o impacto do nosso trabalho imediatamente afeta a vida de mais de 1,5 bilh\u00e3o de pessoas.<\/p>\n<p>Foi uma jornada e tanto vir de uma fam\u00edlia pobre, de uma cidade pobre, de um pa\u00eds de terceiro mundo, at\u00e9 chegar a se tornar um engenheiro s\u00eanior bem sucedido em uma das empresas mais prestigiadas do mundo. Eu acredito fortemente que sorte \u00e9 a combina\u00e7\u00e3o de oportunidade e compet\u00eancia. Eu sou muito aben\u00e7oado que eu estava pronto quando v\u00e1rias oportunidades apareceram.<\/p>\n<p>Existe muito ainda para crescer. Eu estou ainda muito longe de onde eu quero chegar, e n\u00e3o vou mudar minha f\u00f3rmula para chegar l\u00e1. Vou continuar construindo compet\u00eancia e aumentando meu conhecimento, de forma que quando as oportunidades chegarem, eu estarei pronto para agarr\u00e1-las.<\/p>\n<p>Eu sou muito agradecido por todos meus amigos que tiveram alguma influ\u00eancia no meu progresso. Eu n\u00e3o teria chegado a lugar algum sem a ajuda de muitas pessoas \u00f3timas. Eu sou ainda mais agradecido pela minha amada esposa <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/liedzapata\" target=\"_blank\">Luana<\/a>, que se juntou a mim nas minhas aventuras desde 2009. Minha miss\u00e3o m\u00e1xima \u00e9 me tornar um grande modelo para nossos filhos.<\/p>\n<p>Muito obrigado por ter lido at\u00e9 aqui.<\/p>\n<p>Feliz 2016!!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mais ou menos 20 anos atr\u00e1s, final de 1995 &#8211; in\u00edcio de 1996, eu estava come\u00e7ando o que acabou se tornando uma carreira de muito sucesso. 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