Hong Kong, a New York do oriente

Quando pousamos em Hong Kong no primeiro dia da viagem já deu para perceber rapidamente o que é essa magnífica cidade. Não é por acaso que ela é considerada a Nova Iorque do oriente. É uma das principais cidades da Ásia, grande centro financeiro, um dos mais movimentados portos do mundo, com uma infraestrutura portuária invejável, e um grande destino turístico, principalmente para turistas atrás de boas compras.

O aeroporto é algo sem palavras. Hong Kong fica espremida em algumas ilhas e um pedaço de continente. Grande parte do território é montanhoso e é área de proteção ambiental. O antigo aeroporto Kai Tak, construído de 1925, estava entre os 10 aeroportos mais perigosos do mundo, com sua famosíssima aproximação visual em curva sobre centenas de edifícios. Simplesmente não havia terra para construir um aeroporto decente. Se não há terra, se faz terra. Uma ilha artificial foi construída e sobre ela um magnífico aeroporto, com mais de 12 km2 de área, duas excelentes pistas e dois terminais maravilhosos. O novo aeroporto abriu suas portas em 1998 e hoje transporta mais de 50 milhões de passageiros por ano com bastante tranquilidade.

Como não podia faltar, claro, o aeroporto é muito bem servido por uma linha exclusiva de trem expressa, que deixa você no coração da cidade em 24 minutos. Não bastando isso, na estação do centro da cidade (Hong Kong station) você pode despachar suas malas e fazer check-in com antecedência, caso queira ficar mais algumas horas pelo centro (fazendo compras, por exemplo). Pouco antes do voo, você toma o trem e pode ir direto para a sala de embarque. Genial!

Outra coisa que eu achei muito interessante é que se você pousa em Hong Kong apenas de trânsito para outro lugar próximo, não é necessário fazer imigração. É possível tomar um ferry boat antes do setor de imigração e ir para algumas cidades na China ou para Macau. Como nós fomos para Shenzhen de carro, tivemos que fazer imigração.

Não tínhamos nenhuma agenda oficial em Hong Kong, então era só turismo. Tínhamos até uma guia local, muito gente fina. Nosso primeiro passeio foi visitar o Buda Gigante, que fica na ilha Lantau, à oeste. Para chegar lá, se toma o Ngong Ping Cable Car, o bondinho mais genial que eu já vi, com 5,7 km de extensão. O caminho tem vistas deslumbrantes, incluindo uma bela vista do aeroporto. Dá para ter uma bela ideia no vídeo abaixo:

O passeio é muito bonito. Na verdade, o passeio é mais bonito que o Buda em si, que é legal e tal, mas em nada se compara com o Cristo Redentor no Rio de Janeiro. Clique nas imagens acima para ver o álbum completo.

O que todo mundo queria mais fazer em Hong Kong era compras, claro. Hong Kong é o paraíso mundial dos consumistas, pois você encontra qualquer coisa a preços americanos, porém com um detalhe crucial: Hong Kong não recolhe impostos sobre o comércio. Em New York City, qualquer coisa que você compra é acrescida é 9,25% de impostos. Diferentemente da China, onde é difícil comprar coisas, pois a falsificação é muito agressiva em tudo, em Hong Kong a coisa é muito mais séria. Para quem gosta de grifes, que não é o meu caso, encontra todas as lojas mais chiques do mundo.

Fomos no centrão de Kowloon, o distrito continental de Hong Kong, onde uma quantidade incrível de comércios se estendia por algumas quadras. A imagem inicial é exatamente o da rua 25 de março em São Paulo: muita gente, muito tudo. A “única” diferença era o padrão das lojas. Fui com a minha lista de compras pronta, então não perdi tempo com vitrines. Comprei um MacBook Pro 13″ Core i7 para mim, um iPhone 4 e um tablet Bamboo para a Luana e mais algumas coisas pequenas. O pessoal mais consumista (e brasileiro adora fazer compras no exterior) comprou MUITA coisa. Teve gente pedindo mãos emprestadas para carregar as sacolas.


À noite fomos num dos locais mais bonitos da cidade, o Victoria Peak, de onde se tem uma incrível vista da cidade abaixo. Jantamos num restaurante aí em cima. A comida estava boa, mas a vista estava tão melhor que se tivessem servido pipoca, ninguém se importaria muito. Clique nas imagens acima para ver o álbum completo.


Domingo foi nosso último dia nessa viagem. Acordei cedo para fazer o grande esforço de arrumar (e fechar) a mala (nunca grande o suficiente). O pessoal que estava pronto cedo foi com a van para o distrito de Stanley, um lugar muito despojado, ao sul da ilha principal. É uma espécie de balneário, com um ar muito diferente da metrópole vibrante que se encontra do outro lado da ilha. Eu fui sozinho de táxi e encontrei o pessoal lá para almoçar. Como todo mundo já estava meio de saco cheio do “traditional chinese food”, almoçamos em um restaurante alemão.

O mais interessante de Hong Kong é a sua cultura, pois não se pode dizer que é britânica nem tão pouco chinesa. O país nasceu na mão dos ingleses, mas 97% da população é de origem chinesa, então se formou uma mistura, uma terceira cultura na verdade, bem diferente. Faz muito pouco tempo que a China retomou o controle do território, e o processo de reintegração total deve durar pelo menos 50 anos.

À tardinha, fomos levados num shopping center chique, o Victoria Mall, bem diferente da loucura que era o centro de Kowloon. Como tinha ainda gente disposta a fazer mais compras, essa era a última oportunidade.

Saindo do shopping, do outro lado da rua tomamos um barco para ver o espetáculo A Symphony of Lights, que envolve 44 edifícios precisamente sincronizados variando sua iluminação, misturando laser, neon, LED, canhões, etc. Além disso, há uma transmissão via rádio de uma música sincronizada com as luzes. O espetáculo acontece diariamente às 20h00, com exceção aos dias de mau tempo, e dura 14 minutos. É muito bonito de ver, especialmente de um barco. Abaixo o vídeo que tomei:

Veja também o álbum de fotos.

Jantamos num restaurante italiano e daí fomos direto para o aeroporto. Rapidamente fizemos o check in na South African Airways e por muita sorte, conseguimos assentos nas saídas de emergência. Para um voo de 13 horas, isso foi uma maravilha. Decolamos as 0h15 para um looongo voo de 12h49min até Johannesburg, na África do Sul. Graças aos assentos de emergência, milagrosamente eu dormi as primeiras 9 horas direto. Nem vi a janta sendo servida.

No próximo post, um pouco de Johannesburg.

Esta viagem à Ásia foi uma experiência sem palavras. Foi muito interessante conviver um pouco com gente tão diferente. Não só uma questão de idioma, mas principalmente de cultura, valores, etc. Ver a China, que até pouco tempo atrás era um país tão fechado, hoje num progresso furioso, se inserindo como um grande player num mundo globalizado, foi bem bacana. Nota-se claramente que há muitos problemas por resolver, como em qualquer outro país no mundo, mas a China está apontando para um rumo que dificilmente vai dar errado: economia, educação e infraestrutura.

Foi muito pouco tempo lá para formar qualquer opinião. Mas uma coisa é certa: o ditado “a China vai dominar o mundo” faz bastante sentido. Eles não estão aí para brincadeira.

Chengdu, a cidade do Panda

Cobrimos os 1560 km de distância em 2h34min de voo, pousando em Chengdu pouco antes das 20h. Uma coisa curiosa na China é que todo o país tem o mesmo fuso horário UTC+8. Geograficamente é um absurdo, mas politicamente facilita a vida. Chengdu está numa longitude 104 graus leste, logo deveria ter um fuso horário UTC+7. No extremo oeste do país o fuso deveria ser UTC+5. Logo, o pôr do sol nessas regiões pode passar das 22h no verão.

Chengdu fica bem no meio do país, embora eles considerem uma cidade do oeste. É uma das cidades mais prósperas do oeste, pois da mesma forma que Shenzhen, Chengdu está se tornando um grande polo industrial através de fortes incentivos do governo. Uma ótima estratégia para desenvolver o oeste pobre do país. A cidade está hoje com 11 milhões de habitantes, pelos números oficiais.

Imaginávamos não ver muito progresso em Chengdu como vimos em Shenzhen e Beijing, mas mais uma vez nos surpreendemos. Dos locais onde estivemos, Chengdu é de longe o local que está mais construindo. É assustador a quantidade de construções. Acho que em nenhum momento não se encontrava uma grua por perto. Bastava olhar para um lado ou outro, que rapidamente se via um prédio subindo. E muitos, muitos prédios em todo lado.

Isso é algo interessante na China. O país se esforça demais para otimizar a ocupação de espaço, pois está havendo um gigante êxodo rural nos últimos anos. Otimizar espaço em áreas urbanas significa construir para cima. Não tem mágica. E é o que se vê por todo lado. Condomínios com várias dezenas de torres iguais e cada torre com muitos apartamentos pequenos. Acho que eu não vi nenhum condomínio com menos de 10 torres iguais. Cada torre sempre maior que 20-30 andares. Certamente não é o melhor modelo de cidade para o conforto de seus habitantes, mas em um país com 1,4 bilhão deles, as regras são bem diferentes.

Ficamos apenas um dia em Chengdu, pois tínhamos apenas um compromisso na agenda, de visitar a sede mundial da Huawei Symantec, que fica numa zona industrial com uma série de outras mega empresas, muitas delas americanas, como IBM, Microsoft, Cisco, etc. A Dell deve abrir uma operação grande em Chengdu em breve.

A maior atração turística de Chengdu é o Panda Park, que reúne cerca de uma centena de ursos pandas. O panda é nativo dessa região, e é uma espécie ameaçada hoje em dia. Acredita-se que não existe mais de 3000 deles no mundo. O parque é muito interessante, sendo praticamente um zoológico de uma só espécie. Embora ele seja manso, não é permitido se aproximar muito, pois em algumas circunstâncias, eles podem se sentir ameaçados e atacar as pessoas. O bicho é tão preguiçoso que o parque se esforça ao máximo para procriá-los, mas é difícil, pois eles só querem saber de comer bambu e dormir. No vídeo a seguir dá para ter uma boa ideia disso:

Veja também o álbum de fotos do parque.

Do parque, fomos direto para o aeroporto, que fica do outro lado da cidade, ao sul. Como toda boa cidade, Chengdu possui uma estrutura muito boa de anéis rodoviários. Circulando um desses anéis, tudo o que se vê são construções, não somente prédios, mas também de infra-estrutura da cidade.

Decolamos de Chengdu às 20h24 direto para Shenzhen. Embora nosso destino essa noite era Hong Kong, voar para Shenzhen é muito mais barato, pois é um voo doméstico. Pousamos em Shenzhen, 1315 km a sudeste, exatamente 2 horas mais tarde.

No aeroporto, nos despedimos de nossos colegas chineses, Ruby, Bill e Cherry. Por mais estranho que possa parecer, os chineses precisam de visto para entrar em Hong Kong, e nossos amigos estavam com os seus visto expirados. Fica aqui meu imenso agradecimento aos três, que fizeram a nossa viagem ser uma experiência muito mais formidável do que seria se fôssemos apenas turistas passeando, sem compartilhar nada da cultura deles.

Haviam algumas vans nos esperando no aeroporto, que nos levaram até Hong Kong. Chegando na fronteira, a fila de carros para emigrar da China e imigrar em Hong Kong estava imensa. Os motoristas nos sugeriram fazer o processo a pé, que é mais rápido, e assim o fizemos. Como os motoristas são cidadãos de Hong Kong, eles passam rápido. Quando terminamos o processo todo, eles já estavam nos esperando do lado de Hong Kong.

Mais uma meia hora dirigindo e chegamos no nosso hotel, o Regal Kowloon Hotel, no distrito de Tsimshatsui, Kowloon.

Hong Kong merece seu próprio post, nos próximos dias…

Beijing – Cidade Proibida e mais

Na quinta-feira, dia 7, nossa primeira atividade foi visitar a Cidade Proibida, que fica encravada no centrão de Beijing, muito perto de nosso hotel.

A Cidade Proibida é um complexo imenso, ocupando uma área de 72 hectares. O complexo possui 980 prédios e começou a ser construído em 1406, para servir aos imperadores e seus achegados. Hoje em dia é usado como atração turística. Tudo é muito bem conservado. O local assusta pela sua imponência, riqueza de detalhes e beleza. É da Cidade Proibida que vem essa clássica arquitetura chinesa, facilmente reconhecida pelo modelo do telhado das construções.

O lugar é tão grande que é fácil perder horas aí dentro. Chega um momento que tudo parece igual, pois as construções são de certa forma semelhantes. Ficamos um pouco mais de duas horas aí e ainda faltou bastante coisa para ver.

Não vou falar sobre a história do local pois existe muita literatura sobre isso na Internet.

Veja o álbum de fotos da Cidade Proibida. Várias fotos interessantes.

Uma das coisas mais notáveis na China são os vendedores de rua. Eles atacam querendo vender de tudo, especialmente falsificações de tudo, e não sossegam enquanto não há negócio. A ordem geral no país é barganhar, e barganhar muito. Um diálogo comum seria:

  • Ambulante: Ei ei, olha isto, baratinho, 500, 500…
  • Você: não, não, obrigado…
  • A: compra, compra, quanto você quer pagar?
  • V: ok, pago 20…
  • A: 100, 100…
  • V: não, 25…
  • A: ok, 50, negócio fechado…
  • V: ok, 50…

Na cultura brasileira a gente até barganha, mas qualquer 10-15% já é visto como um bom desconto. Lá o desconto normal nesse tipo de situação pode chegar a 80-90%, o que é um absurdo. No início você se sente um explorador sem escrúpulos, mas depois, pensando bem, você vê que eles são tão exploradores quanto. Se eles te oferecem algo por 500 e fecham por 50, certamente o custo foi 10. Tirando a tirania da situação, você se diverte muito comprando, porque toda a negociação é levada com uma boa dose de humor.

Na foto ao lado dá para se ter uma ideia das abordagens. A senhora queria me vender uma bolsa por RMB 120. Comprei 5 bolsas por RMB 50. Depois ouvi o pessoal comentando que tinha comprado 5 por RMB 35. Jogo duro. O mais engraçado foi quando ela descobriu que o grupo era brasileiro, começou a falar italiano enlouquecida, “cinque per cinquanta, cinque per cinquanta, cinque per cinquanta”. Maluca. 🙂

Nesse dia, fomos almoçar no Quanjude Roast Duck Restaurant, um dos restaurantes mais famosos e tradicionais da capital. Fomos comer o prato mais tradicional de Beijing, o pato laqueado (roast duck), que consiste em se comer apenas a pele do pato, que é extremamente nutritiva. O resto do pato não é aproveitado, pois são patos muito gordos.

O restaurante é deslumbrante! Você entra e fica abobado olhando para todos os lados. São vários andares, várias salas reservadas, salões enormes. A vestimenta dos atendentes é muito bonita. O negócio é tão imponente que cada pato criado por eles é catalogado. Eles cortam o pato na sua frente e lhe dão o certificado com o número de série do pato que você está comendo. O restaurante está aí desde 1864, servindo em torno de 2 milhões de patos por ano. É destino certo de vários chefes de estado em visitas oficiais.

Veja as fotos que tomei no restaurante. Sim, a comida estava maravilhosa, para variar.

Falando em salas reservadas, isso é algo que muito me chamou a atenção na China. Praticamente todos os restaurantes bons que fomos tinham salas reservadas para grupos. Geralmente a sala consiste em uma ou duas mesas redondas tradicionais, alguns sofás e TV com karaokê (claro). Em uma delas tinha até um tabuleiro de mahjong, jogo tradicionalíssimo na China (foto ao lado). Os atendentes servem a sala normalmente como se o grupo estivesse no salão principal. Muito interessante para grupos ou reuniões comerciais onde se precisa de alguma privacidade.

Depois do almoço de pato, fomos visitar outro lugar muito famoso mundialmente, a Praça da Paz Celestial (Tiananmen Square). É a maior praça do mundo, com incríveis 44 hectares. Na foto ao lado, atrás de mim está a foto de Mao Tsé-Tung, na parede que é a face sul da Cidade Proibida. A praça foi palco no passado de várias manifestações, a mais notável sendo os protestos de 1989, onde o exército abriu fogo contra os manifestantes, matando milhares deles. Hoje a praça é totalmente cercada e incrivelmente vigiada por várias câmeras de alta definição. O acesso é controlado através de detectores de metais.

Ficamos poucos tempo, o suficiente para tomar algumas fotos da praça.

No caminho para o aeroporto, paramos rapidamente para conhecer o magnífico Parque Olímpico de Beijing, onde foi sediado os jogos olímpicos de 2008. O lugar é muito legal e muito grande. O parque inteiro tem 8 km de extensão, tudo muito bem feito. A infra-estrutura do local foi tão bem feita que o parque é atendido por duas linhas de metrô.

Vimos pouco do local, mas já deu para ver claramente que os chineses receberam as olimpíadas em grande estilo. Veja o álbum de fotos do parque olímpico.

No caminho para o aeroporto, que fica a 20 km a nordeste do parque olímpico, vimos outra coisa muito importante para uma cidade desenvolvida: 20 km de linha expressa do aeroporto (Airport Expressway), toda elevada, 3 pistas para cada lado, ligando o terceiro anel rodoviário ao aeroporto diretamente, sem influência do tráfego da cidade. Não levamos nem meia hora para percorrer o caminho, isso tudo às 15h30 de uma quinta-feira normal.

E lá vamos nós receber uma copa do mundo com o super Aeroporto Internacional André Franco Montoro (ou Cumbica, ou Guarulhos) e uma excelente via expressa, também conhecida como a Marginal do Tietê. Em 8 horas, você voa de Miami até o aeroporto. Mais umas 3-4 horas, você chega no centro da cidade. Razoável… Para que metrô no aeroporto? O bonito é apreciar a paisagem.

Voamos de Hainan Airlines para Chengdu, na província de Sichuan. Na saída, fomos presenteados com uma belíssima vista da Grande Muralha se perdendo no horizonte. Uma pena que eu estava com a câmera guardada. De qualquer forma, a poluição de Beijing não permitiria uma foto bonita.

Falando em poluição, fomos muito alertados que a poluição em Beijing era insuportável e tal. Se nota muita poluição de fato, e é facilmente perceptível também nas fotos externas, mas em nenhum momento me atacou a garganta ou olhos, como eu poderia esperar. Voando se vê bem a grossa camada cinza que paira sobre a cidade. Dizem que melhorou muito depois das olimpíadas.

No próximo post, Chengdu.

Beijing – A Grande Muralha

A visita a Beijing foi muito mais por motivos turísticos do que de trabalho, embora tínhamos uma atividade profissional programada para a cidade. Como nosso roteiro na China foi elaborado por uma empresa chinesa, eles fizeram questão que o grupo conhecesse a capital. Fizeram certo, pois todos gostaram muito.

No dia 6 de abril, nossa primeira atividade pela manhã foi visitar a Grande Muralha. Seguramente esse era o momento turístico mais esperado da viagem, pois a muralha é o principal cartão postal do país. O trecho da muralha mais próximo de Beijing fica a uns 60 km à noroeste do centro da cidade. Naturalmente, o que podemos ver da muralha é completamente insignificante comparado ao tamanho que de fato ela é. Mais de 6000 km foram construídos e boa parte ainda está preservada ao longo do país.

Como a muralha era um sistema de defesa, ela foi construída sempre buscando o topo das montanhas, ao invés de circundando elas, como se faria em uma construção de estradas, por exemplo. O trecho que visitamos em Beijing é uma dessas subidas. A muralha na verdade é composta por dois muros com 7-9 metros de altura e uma escadaria no meio com uns 5 metros de largura. A cada pouco há guaritas, que eram usadas como postos de controle.

Eu não sei exatamente quantos metros andamos nem quantos degraus subimos, mas foi muito! O que eu sei é que o ponto mais baixo, onde começamos a subida, estava a uns 100 metros de altitude. A última guarita que eu cheguei estava a 510 metros. Ainda dava para subir e ver mais duas guaritas, mas meus joelhos não aguentavam mais. Na verdade, a coisa nunca termina, pois você atravessaria o país buscando a próxima guarita. 🙂

Independente do esforço físico, vale muito a pena visitar. Não só por se tratar de um dos maiores cartões postais do mundo, mas principalmente para estar diante da grandiosidade que foi construir mais de 6000 km de uma linha de defesa, e tudo isso há mais de 2500 anos. É impressionante!

E para compensar o esforço, você leva (por apenas RMB 40,00) um certificado de que chegou lá:

Outra coisa que eu acho muito interessante de visitar esse lugares muito famosos é que você encontra gente de tudo que é canto do mundo. Outros lugares onde observei muito isso foi em Machu Picchu no Peru, Times Square em New York, Cristo Redentor e Pão de Açúcar no Rio de Janeiro. A diferença na muralha é que está todo mundo tão acabado e parando para descansar, que dá para conversar com muita gente. Uma senhora de 65 anos, muito saudável e simpática, nos ouviu falando português e nos abordou maravilhada. Ela era de Portugal e estava viajando sozinha pela Ásia havia mais de 2 meses. Ainda ia para as Filipinas e Indonésia, para depois voltar para casa. Achei muito genial. Quero chegar aos 65 com essa disposição. 🙂

Veja o álbum de fotos que tomei na muralha.

No próximo post, Cidade Proibida, Praça da Paz Celestial e Parque Olímpico.

Beijing 1

Beijing, ou Pequim como se diz normalmente pelo Brasil, nos surpreendeu. Vimos todo aquele progresso em Shenzhen e imaginávamos que aquilo era apenas devido a ser uma cidade nova. Comentávamos entre nós que chegando em Beijing que iríamos de fato conhecer a China comunista / socialista, através de uma típica cidade de terceiro mundo, com sérias deficiências de infra-estrutura, muita pobreza aparente, desorganização, congestionamentos imensos, etc. Estávamos absolutamente enganados. Como comentei no post anterior, o aeroporto é colossal, e isso já nos dava uma ideia que não estávamos em qualquer cidade.

Chegamos em Beijing no início da noite e já estava bem frio, pois mesmo na primavera, qualquer cidade 40 graus longe do equador normalmente é fria, mesmo estando Beijing ao nível do mar. Hong Kong e Shenzhen ficam próximas ao trópico de câncer, então é outro clima, muito mais agradável. Pela primeira vez na viagem, fui obrigado a recorrer a um agasalho.

Logo no desembarque, nossa guia, que se chamava Meg, nos esperava. De primeira já deu para notar que ela era bem hiperativa, falante e muito boa gente. Não demorou para os brasileiros a apelidarem de iPod. Ela nos organizou em duas vans e nos dirigimos ao hotel, no centrão de Beijing, 32 km à sudoeste do aeroporto. Eu fui na van onde estava a guia, e ela já nos deu uma aula de Beijing, onde fica o que na cidade, falou sobre alguns bairros, origens, etc. A cidade é tão antiga que ninguém sabe ao certo a sua idade. De acordo com a guia, a cidade tem 3000 anos e é a capital do país há mais de 600 anos continuamente, pois já tinha sido capital antes, deixou de ser, voltou a ser e assim por diante.

A guia comentou que iríamos pegar um congestionamento no caminho para o centro, pois era a hora do rush. Beijing tem 22 milhões de habitantes (oficialmente), ligeiramente maior que São Paulo, com 19 milhões (toda a metrópole). Logo fizemos a comparação e já vimos que iríamos ficar horas parados no congestionamento para percorrer 32 km. Resultou que nossa velocidade nunca baixava de 40 km/h nos piores trechos, e eles lá estavam achando horrível. Eu imaginei que o congestionamento do qual ela falava tinha se dissipado milagrosamente, mas não, ela confirmou que aquela “lentidão” era devido à hora do rush mesmo, que todos os dias era assim, muito complicado…

Aí que começamos a perceber como as coisas são por lá. A infra-estrutura viária da cidade é impressionante. Todas as vias que andamos tinham pelo menos 3-4 pistas para cada lado, sempre com pavimento impecável. Muitas passagens de nível. Raramente se vê um semáforo entre duas grandes avenidas. É bem comum grandes cidades, especialmente em países de primeiro mundo, possuírem um anel viário que circula a cidade, para aliviar o trânsito na parte interna da cidade. Beijing talvez seja o melhor exemplo mundial disso, pois possui cinco anéis viários circulando toda a cidade. São Paulo está há mais de uma década em passo de tartaruga tentando construir seu rodoanel, que deveria se chamar rodo-meia-lua, pois está muito longe de dar a volta ainda, e o governo admite que não existe nem previsão para isso acontecer, se é que vai um dia.

E isso foi o que vimos por cima. Por baixo está o mais impressionante ainda. Beijing não tinha metrô até 1971. Em 2000 eram apenas duas linhas. Em 2001 a cidade foi confirmada para receber as olimpíadas de 2008. O resultado hoje: 14 linhas e 336 km de extensão. Em 2015 serão 19 linhas entregues, totalizando 561 km no sistema, se tornando o maior sistema de metrô do mundo. Metrô é algo fundamental para uma cidade grande se mexer, e nesse aspecto os chineses estão no caminho. Ninguém mais do que eles sabe o que é ter MUITA gente precisando ir e vir todos os dias. Os maiores metrôs pelo mundo:

  • Shanghai, 425 km, 237 estações
  • Londres, 402 km, 270 estações
  • New York City, 337 km, 423 estações
  • Beijing, 336 km, 172 estações
  • São Paulo, 71 km, 61 estações
  • Rio de Janeiro, 47 km, 35 estações

Quase igual:

Sem comentários…

O mundo todo sabe, e eu nem preciso dizer aqui, que a China tem sérios, e muito sérios, problemas políticos por resolver, mas uma coisa que se nota claramente no país é que, independente de todo autoritarismo que existe, o país está se desenvolvendo numa velocidade furiosa, e em um padrão de qualidade de botar inveja em muito país super-desenvolvido. Normalmente o que se espera de qualquer regime autoritário é um país estagnado, caindo no abismo. Se você acha que a China é mais um desses países, vá lá e veja com seus próprios olhos.

A seguir, minha visita à Grande Muralha, Cidade Proibida, o famoso pato laqueado de Beijing, Praça da Paz Celestial, Parque Olímpico, etc.

Como gosto de escrever bastante, vou escrevendo “a prestação” para não ficar uma leitura muito cansativa.