Ensol 2010, João Pessoa, Paraíba

Neste mês de maio tive o prazer de participar pela primeira vez do Ensol, Encontro de Software Livre da Paraíba, realizado em sua capital, a belíssima cidade de João Pessoa, dos dias 5 a 9 de maio. Essa foi a quarta edição do evento.

O Ensol é organizado pelo G/LUG-PB, Grupo de Usuários GNU/Linux da Paraíba, do qual faz parte meu grande amigo Anahuac de Paula Gil.

O local onde o evento foi realizado, a Estação Cabo Branco, é um espetáculo à parte. Fruto da mente de ninguém menos que Oscar Niemeyer, a Estação Cabo Branco é um complexo arquitetônico com 8.571 m² construídos na orla onde fica a Ponta do Seixas, ponto mais oriental das Américas (continente), na longitude 34,8° oeste.

O evento contou com a participação de palestrantes de peso, tais como Rasmus Lerdorf, criado do projeto PHP, meus grandes amigos Jim McQuillan, criador do projeto LTSP, e Jon “maddog” Hall, presidente da The Linux International, e outros grandes nomes, formando um temário bastante diversificado e de qualidade.

Minha palestra foi sobre QoS (quality of service – qualidade de serviço) para tráfego de voz em redes de dados. Publiquei os slides no post anterior.

Infelizmente, existe um grande problema de erros de conceitos teóricos entre vários administradores e operadores de rede mundo afora, especialmente no que tange certos tipos de tráfegos mais delicados, como voz sobre IP. A palestra está mais focada é esclarecer vários conceitos que parecem causar muita confusão, pois sem esses conceitos bem claros, é impossível se obter uma qualidade de serviço nas redes congestionadas de hoje em dia.

Numa próxima oportunidade, vou escrever com mais detalhes sobre o assunto.


Fiquei muito surpreso, de forma positiva, com João Pessoa. As únicas cidades que eu conhecia do nordeste eram Salvador e o Recife, ambas muito chocantes em termos de contraste social e miséria humana. João Pessoa, sendo uma cidade bem menor, com apenas 700 mil habitantes, desfruta de uma qualidade de vida muito melhor. A cidade parece ter uma boa infra-estrutura urbana, com boas avenidas, bastante limpeza. Outro aspecto que chama a atenção é a tranquilidade (pode ser apenas uma sensação). Caminhei alguns dias à noite pela orla e tudo me pareceu muito tranquilo, com bastante policiamento em alguns locais. Não se vê miséria pelas ruas como eu vi na Bahia e em Pernambuco.

João Pessoa é banhada não apenas pelo Oceano Atlântico, mas também pelo Rio Paraíba, que foi onde a cidade foi fundada e ali se desenvolveu. A costa do Atlântico era mais vista no passado como local para férias. Nos últimos anos, porém, com o avanço do turismo, a cidade cresceu bastante em direção ao oceano. Hoje conta com uma bela infra-estrutura na orla, com calçamento de ponta a ponta e uma simpática avenida. O plano diretor da cidade não permite a construção de prédios altos à beira-mar, o que é muito importante para se ter uma praia decente, diferente de muitos outros locais do Brasil, onde a máfia imobiliária tomou conta de tudo, construindo arranha-céus quase dentro do mar.

O acesso à cidade por via aérea é tranquilo, com voos direto de Guarulhos, Rio de Janeiro (Galeão) e Brasília, além das capitais mais próximas no nordeste mesmo. O aeroporto internacional Presidente Castro Pinto (SBJP/JPA) fica na cidade vizinha de Bayeux, a uns 10km do centro de João Pessoa. Como a maioria esmagadora dos aeroportos no Brasil, SBJP conta apenas com uma pista (16/34), com 2515×45 metros, asfaltada. Um bom porte para aeronaves a jato de médio porte, pois o aeroporto está praticamente ao nível do mar (217 pés – 66 metros). O terminal de passageiros parece ser novo e é bem modesto. Poderia ter mais de uma esteira de bagagens, pois as pessoas se atropelam no desembarque. O embarque foi muito tranquilo e confortável.

Para quem quer chegar voando por contra própria, é bom ter em mente que o aeroporto não possui ILS (pouso por instrumentos de precisão). Os únicos procedimentos de aproximação por instrumentos são os arcaicos NDBs e os RNAVs, para aeronaves com essa capacidade.

A gastronomia também é bem interessante. É muito tradicional comer carne de sol e carne de bode, ambas muito gostosas. Se vê bastante peixe e camarão também nos restaurantes regionais. Comemos em vários restaurantes diferentes e tudo me pareceu bastante razoável em termos de preços. O custo de vida na cidade parece ser bem baixo.

Uma coisa muito estranha na cidade é o fuso horário. Geograficamente, João Pessoa, estando em uma longitude de quase 35° a oeste do meridiano de Greenwich, deveria ter o fuso horário GMT-2. Mas como o fuso horário de todo o nordeste equivale ao fuso horário de Brasília, a cidade está no GMT-3. Pode ser uma conveniência política, mas é um grave erro geográfico. Durante a semana que estive lá, o sol nascia às 5h21 e se punha às 17h10. Seria muito mais inteligente usar o fuso horário de Fernando de Noronha, que está a 32,4° oeste e logicamente com fuso GMT-2. Desse fato com um slogan da cidade: “onde o sol nasce primeiro”.

No seguinte ao término do evento, Anahuac, Maddog, James e eu alugamos dois buggies para fazer um passeio pela orla ao redor de João Pessoa.

No período manhã, saímos ao norte da cidade em direção à cidade de Cabedelo, onde o Rio Paraíba se encontra com o oceano. Coordenadas: 6°58’15.26″S 34°50’3.28″W. No horário do almoço, nos despedimos de James, pois ele viajou de volta aos EUA naquela tarde.

À tarde, nós três (agora com apenas um buggy) seguimos ao sul de João Pessoa, até a praia de Tabatinga, por sugestão do Anahuac, que já havia estado aí antes com Maddog. Coordenadas: 7°18’51.09″S 34°48’8.79″W. A praia é uma pequena baía, com águas extremamente calmas. Deu para nadar um pouco até. Houve a grande coincidência que o motorista do nosso buggy era irmão do dono do único bar que tem na beira dessa praia. Eita mundo pequeno.

Na terça-feira (11), Maddog e eu ficamos trabalhando no hotel até umas 16h, quando Anahuac foi nos apanhar para ver o famoso pôr do sol na praia do Jacaré (Coord: 7° 2’21.83″S 34°51’19.79″W), ao norte da cidade. Assistir o pôr do sol aí é algo extremamente tradicional em João Pessoa, pois há dez anos esse fato geográfico, já belíssimo por si só, é acompanhado ao som do Bolero de Ravel, tocado por Jurandy do Sax, um conhecido saxofonista local a bordo de seu barco, às margens do rio, na frente de vários bares, que lotam diariamente para assisti-lo. Muito bonito.

No dia seguinte, almocei com Anahuac e sua família. Logo em seguida, embarquei de volta ao Rio Grande do Sul, fazendo conexões no Recife e em Guarulhos. Três voos tranquilos, no horário. Cheguei em Porto Alegre na hora prevista.

Pretendo voltar à Paraíba em outra oportunidade, de preferência de férias com Luana, para desfrutar melhor do turismo na região. Com um pouquinho de tempo extra, vale a pena esticar até o Rio Grande do Norte e conhecer Natal. Não faltam recomendações.

A cidade das mangueiras

Estive na última semana, pela primeira vez, no estado do Pará, para fazer um serviço em um cliente na capital Belém, conhecida como a Cidade das Mangueiras. Viagem rápida, indo quarta-feira e voltando no sábado. Praticamente não ia dar pra ver nem conhecer nada.

Chegando lá, entrei em contato com meu amigo Reinaldo. Saímos pra tomar um chopp na quinta-feira à noite e encontramos por acaso com uma amiga dele, Lucy e suas primas Claryce e Karlla. Já tinha companhia para os próximos dias. Todos estariam livres no sábado e surgiu a possibilidade de irmos visitar umas praias. Em função disso, remarquei minha volta para o domingo.

Mosqueiro, Belém
Mosqueiro, Belém

Sábado fomos visitar a ilha de Mosqueiro, que faz parte do município de Belém. Veja no Google Maps bem onde fica. Bastante interessante, com praias em todo o contorno da ilha, que é banhada em boa parte pela Baía de Marajó, que faz parte do Delta do Amazonas. É nessa região que o imenso Rio Amazonas se encontra com as águas do Oceano Atlântico. Como se pode observar no mapa, a região é cercada de ilhas e afluentes. Uma pena que não tive tempo para fazer algum passeio de barco.

Belém é a maior região metropolitana da Amazônia, com uma população total em torno de 2 milhões de habitantes (1,4 milhão no município). Embora seja uma cidade bastante grande, é apenas a 23ª cidade mais rica do Brasil, bastante atrás de Manaus, que ostenta a 7ª posição, graças ao pólo industrial. Mesmo assim, fiquei bastante contente em ver que a cidade está crescendo bastante. A construção civil está muito forte, e se houve falar muito disso por lá. Me chamou muito a atenção a altura dos edifícios. Uma construtora está em fase de acabamento de dois edifícios residenciais gêmeos de 40 andares cada, que vão ser as maiores torres da Amazônia. É bastante comum ver edifícios com mais de 30 andares. Com uma vista daquelas, não é de se admirar o porquê de tanta altura.

Moro há 7 anos em Porto Alegre, e desde muito antes que vim pra cá, escuto falarem da revitalização do cais do porto, que está abandonado. Uma área de uma vista lindíssima que poderia ser muito explorada para o lazer. Belém fez o dever de casa nessa parte. Criaram a Estação das Docas onde um dia foi o porto. Todos os armazéns foram restaurados, colocados paredes de vidro para os dois lados, e vários restaurantes e bares se instalaram por lá, algo que me lembrou bastante o Puerto Madero em Buenos Aires. Tudo foi feito com bastante elegância, simplicidade e segurança. E pelo jeito o povo aprovou, pois vive cheio.

Como não podia ser diferente, a culinária nessa região sempre impressiona, especialmente quem gosta de frutos do mar, como eu. Como peixe é luxo total no sul, aproveitei e almocei e jantei peixe todos os dias. Camarão lá tem por todo canto e feito de tudo quanto é jeito. Voltei certamente com uma overdose deles no organismo. Que me perdoem os Manauaras, mas em termos de culinária, Belém dá de dez a zero em Manaus.

Obviamente fiz várias fotos. Postei um álbum completo no meu Gallery e as melhores fotos no meu Flickr.

Voltei contente com a viagem. Além de ter cumprido a missão, fiz novas amizades bem legais e conheci um canto do Brasil que ainda não conhecia. Espero poder voltar em outra oportunidade.